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VIRADA HISTÓRICA: Pela 1ª vez, Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula na corrida pelo Planalto

 


A menos de um mês do primeiro turno, a eleição presidencial de 2026 ganhou um capítulo inédito: pesquisas divulgadas na última semana mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — algo que não havia acontecido em nenhum levantamento desde o início do ano eleitoral.

O que mostram os números

O dado mais recente é do Instituto Veritá, divulgado neste domingo (6 de setembro). No cenário de primeiro turno, Flávio aparece com 38,9% das intenções de voto, contra 38,4% de Lula — uma diferença de apenas 0,5 ponto percentual, dentro da margem de erro de 2 pontos. Ainda assim, é a primeira vez que o nome do senador supera, mesmo que numericamente, o do presidente em uma pesquisa para o primeiro turno.

O mesmo instituto também testou o cenário de segundo turno: Flávio chega a 48,5%, contra 43,1% de Lula — a maior vantagem registrada até agora para o candidato do PL num embate direto entre os dois.

Poucos dias antes, a pesquisa PoderData/Aya, realizada entre 30 de agosto e 2 de setembro com 3.000 entrevistas em 716 municípios, já havia captado um movimento parecido no segundo turno: Flávio com 45% e Lula com 44%. Segundo o levantamento, era a primeira vez desde maio que o senador passava à frente do presidente nesse cenário.

Levantamentos anteriores — como Nexus/BTG Pactual e Gerp, divulgados em agosto — também mostraram a distância entre os dois encolhendo para uma faixa de 1 a 6 pontos percentuais, sempre com Lula à frente até então. Já os institutos Datafolha e Quaest, no entanto, seguem apontando vantagem de Lula: 46% a 44% no segundo turno pelo Datafolha (3 de setembro) e 37% a 29% no primeiro turno pela Quaest (2 de setembro).

Empate técnico, mas com significado político

Apesar de a diferença entre Flávio e Lula estar, na maioria dos casos, dentro da margem de erro — o que caracteriza um empate técnico —, o fato de o senador aparecer à frente pela primeira vez tem peso simbólico na reta final da campanha. Como resume a própria reportagem do Poder360 sobre a pesquisa PoderData/Aya, o resultado indica que "o vento sopra hoje um pouco mais favoravelmente para Flávio do que para Lula", ainda que seja cedo para saber se a tendência vai se sustentar até o dia da votação, 4 de outubro.

O cenário eleitoral também é influenciado por fatores fora das pesquisas em si. Nos próximos dias, atos públicos de ambos os lados — incluindo uma agenda de Flávio Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo — e as manifestações de 7 de Setembro devem funcionar como novo termômetro de mobilização popular às vésperas do início oficial da propaganda eleitoral na TV e no rádio.

Um cenário que vinha se desenhando

A aproximação entre os dois candidatos não é um fenômeno isolado desta semana. Ao longo de agosto, sondagens de institutos como Nexus/BTG Pactual e Indexa/Broadcast já vinham mostrando Flávio reduzindo a distância para Lula, sobretudo no cenário de segundo turno — o que, segundo analistas, reflete a consolidação do senador como o nome de oposição mais competitivo, deixando para trás concorrentes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, que aparecem com percentuais bem menores na maioria dos levantamentos.

No início do ano, o cenário era bem diferente: uma pesquisa Genial/Quaest de janeiro mostrava Lula com folga confortável sobre Flávio — 35% a 26% no primeiro turno — e vitória do presidente em todos os cenários testados de segundo turno, inclusive contra o senador, por uma margem de 7 pontos percentuais. A trajetória das pesquisas ao longo do ano mostra, portanto, um encurtamento progressivo da distância entre os dois candidatos.

Terceira via distante

Enquanto Flávio e Lula disputam a liderança, os demais candidatos aparecem isolados atrás. Na pesquisa Veritá, o escritor Augusto Cury (Avante) vem em terceiro, com 12,2%, seguido por Renan Santos (Missão), com 3,7%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,9%. Os demais nomes — Pablo Marçal (PRTB), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Romeu Zema (Novo), Clariana Barão (DC) e Samara Martins (UP) — somam, cada um, menos de 1,5% das intenções de voto.

O que esperar até outubro

Com a eleição marcada para 4 de outubro, o cenário segue em aberto. A combinação de pesquisas divergentes — algumas apontando Flávio à frente, outras mantendo Lula na liderança — reforça que a disputa entrou em sua fase mais indefinida, sem um favorito incontestável. Nas próximas semanas, o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, somado aos debates entre os presidenciáveis, deve ser decisivo para consolidar — ou reverter — a tendência observada nas pesquisas mais recentes.


Fontes: Instituto Veritá, PoderData/Aya (Poder360), Datafolha (G1), Quaest (Gazeta do Povo), Nexus/BTG Pactual, Gerp. Dados de intenção de voto coletados entre agosto e setembro de 2026.

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